Linfocintilografia

Outros nomes que este procedimento pode ser chamado:

Linfocintilografia, Linfocintilografia de Membros Inferiores, Linfocintilografia de Membros Superiores, Linfocintilografia de Extremidades, Linfocintilografia para Avaliação Linfedema.

Introdução:

O linfedema de extremidades tem como causa um déficit de drenagem linfática, e este déficit possui diversas etiologias, podendo ser divididos entre etiologia primária ou secundária. O linfedema primário geralmente é causado por hipoplasia ou aplasia linfática (que pode estar associado ou não a doenças genéticas), e pode se manifestar em diferentes fases da vida. Já o linfedema secundário resulta de algum tipo de lesão no sistema linfático, que pode ter variadas causas, tais como tratamentos (como esvaziamento linfonodal em casos de câncer), traumas, celulite (infecção da pele), dentre outros.
Quando há um déficit de drenagem linfática o paciente pode apresentar alguns sintomas, como edema compressível na fase inicial, alterações estéticas (como hiperpigmentação cutânea), podendo até mesmo chegar em fibrose em casos mais graves e avançados. Assim, a investigação da causa se faz importante para direcionar ao tratamento adequado a cada caso em específico.
A linfocintilografia é um exame auxiliar na avaliação do sistema linfático, pois avalia a dinâmica linfática através dos canais linfáticos e das cadeias linfonodais, sendo um exame de baixo custo, com baixo risco de complicações, pouco invasivo e de fácil realização.

Indicações:

O exame é indicado no auxílio diagnóstico para os pacientes com suspeita de linfedema, seja ele de causa primária ou secundária.

Radiofármaco:

Podem ser usados diferentes radiofármacos, como o 99mTc-SAH (soroalbumina humana), o 99mTc-Dextran e o 99mTc-Fitato, que são colóides de diferentes tamanhos moleculares, marcados com material radioativo, que circulam pelo trajeto linfático.

Preparo:

Não há necessidade de jejum. A dieta é a habitual do paciente.

Deve-se higienizar bem as mãos ou os pés no dia do procedimento.

Como é feito o exame?

Ao chegar à clínica, o paciente será atendido para a abertura da ficha cadastral.  Em seguida, será encaminhado para uma breve entrevista e a sala de procedimentos.
Serão feitas injeções subcutâneas entre os espaços dos dedos das mãos ou dos pés (conforme solicitação médica), sendo utilizadas agulhas finas para a injeção do radiofármaco.
Após as injeções, o paciente será orientado a movimentar as extremidades por 10 minutos. Em seguida, será encaminhado à sala de exames, posicionado na maca do aparelho da gama câmara e deverá permanecer deitado por aproximadamente 15 minutos para a obtenção das imagens. Ao término da aquisição destas imagens, o paciente será orientado a retornar à clínica para realização de novas imagens 30 minutos, 1 hora e 2 horas após a injeção, para obtenção de novas imagens.
Eventualmente, imagens mais tardias poderão ser necessárias.

Efeitos colaterais e contraindicações:

Podem ocorrer dor, prurido (coceira) e vermelhidão nos sítios de injeção.

Reações sistêmicas ao radiofármaco são extremamente raras.

Este exame não é recomendado para mulheres grávidas e em período de amamentação.

Como solicitar? 

Código SUS: 02.08.08.004-0 – Linfocintilografia

Código TUSS: 4.07.08.10-1 – Linfocintilografia

*Incluir o CID, hipótese diagnóstica e/ou indicação do exame.

As imagens planares de 10 minutos de injeção demonstram vias linfáticas dos membros inferiores pérvias. Este é um exemplo de estudo normal.

 

As imagens planares de 10 minutos e 1 e 2 horas, demonstram sinais de refluxo dérmico no membro inferior esquerdo, assim como acúmulo do radiofármaco em linfonodo na fossa poplítea esquerda. Este padrão é compatível com déficit de drenagem linfática no membro inferior esquerdo.

Considerações finais:

Sendo o linfedema um dos diagnósticos diferenciais de edema (ou inchaço) de extremidades, se faz importante seu diagnóstico e tratamento precoces, para que assim se reduza o risco de progressão e complicações, dentre elas o edema crônico (que podem levar à alterações cutâneas), limitações funcionais e infecções recorrentes.

Autora: Dra. Priscilla Dreyer – CRM/SP 178.438 – Médica Nuclear