Cintilografia do Fígado e Vias Biliares

Outros nomes que este procedimento pode ser chamado:

Cintilografia das Vias Biliares, Cintilografia de Fígado e Vias Biliares com DISIDA, Determinação da Excreção das Vias Biliares com DISIDA, Mapeamento Cintilográfico do Sistema Biliar, Permeabilidade das Vias Biliares, Prova de Excreção das Vias Biliares, Cintilografia Hepática e de Vias Biliares com DISIDA, Cintilografia Hepática com DISIDA.

Introdução:

A Cintilografia de Fígado e Vias Biliares é um exame de imagem sensível e não invasivo para avaliação de distúrbios da função hepatocítica (células do fígado) e da integridade do sistema biliar (que drena a bile produzida pelo fígado), uma vez que utiliza radiofármacos derivados do ácido iminodiacético marcados com 99mTecnécio (HIDA), que são captados pelos hepatócitos (células do fígado) e secretados para o sistema biliar seguindo o fluxo habitual da bilirrubina.
Achados cintilográficos nem sempre são específicos. Portanto, é fundamental a correlação dos achados da cintilografia hepatobiliar com informações clínico-laboratoriais e radiológicas relevantes, a fim de chegar a um diagnóstico correto.
História de cirurgias prévias, especialmente biliares e gastrointestinais, tempo da última refeição, medicações em uso, particularmente aqueles com componentes opióides (utilizados para dor), exames de sangue que refletem a dosagem sérica de bilirrubinas, enzimas hepáticas e achados ultrassonográficos devem ser avaliados de modo conjunto para melhor interpretação do exame.

Indicações:

  • Colecistite aguda e crônica;
  • Avaliação da fração de ejeção da vesícula biliar;
  • Avaliação de obstrução de vias biliares;
  • Detecção de fístula biliar;
  • Avaliação do trânsito biliar no pós-operatório;
  • Avaliação de atresia biliar;
  • Avaliação de função hepatocítica após transplante hepático (fígado);
  • Avaliação de função hepatocítica antes de hepatectomia parcial (retirada parcial do fígado);
  • Disfunção do esfíncter de Oddi;
  • Avaliação de desvio biliar;
  • Avaliação do funcionamento de stent biliar;
  • Refluxo biliar enterogástrico;
  • Hiperplasia Nodular Focal.

Radiofármaco utilizado:

  • 99mTc-DISIDA.

Preparo para realização do exame:

Jejum preferencial de 6 horas (mínimo de 4 horas) e máximo de 18 horas. Recém-nascidos podem ter o jejum reduzido para 2 horas. Jejum prolongado em torno de 24 horas pode dificultar o enchimento da vesícula biliar pelo radiofármaco no tempo esperado, sendo necessárias imagens adicionais tardias ou administração prévia de colecistoquinina (CCK) endovenosa (a critério médico).
Exames de sangue com a informação sobre o valor da bilirrubina total são muito importantes para o cálculo da dose a ser injetada. Níveis muito elevados de bilirrubina podem interferir na captação do radiofármaco. Deve-se suspender medicamentos opiáceos (analgésicos potentes para dor, como morfina) 6 horas antes do exame.

Como é feito o exame?

O paciente será recebido pelo setor da recepção, onde deverá providenciar os documentos previamente relacionados para criação ou atualização da ficha cadastral, bem como ler e assinar o termo de consentimento livre e esclarecido para a realização do exame.
Logo após, o paciente receberá um crachá de identificação e será encaminhado para entrevista e coleta de dados clínicos, verificação de preparo e orientações.
Em seguida, o paciente será encaminhado à sala de exames e posicionado na maca do aparelho. Uma veia periférica será puncionada e o radiofármaco injetado.
O exame inicia-se com a aquisição das primeiras imagens dinâmicas na incidência anterior de abdome, após a injeção endovenosa do radiofármaco, durante 1 hora. Onde será observado se há acúmulo do radiofármaco no fígado, e se o mesmo migra para árvore biliar intra e extra-hepática, vesícula biliar e alças intestinais.
Imagens tardias de até 4 horas e eventualmente 24 horas podem ser necessárias para avaliar o fígado e se ocorreu retenção do radiofármaco em lesões focais ou identificação do radiofármaco na vesícula biliar e intestino delgado, dependendo do organismo de cada paciente e da avaliação da equipe médica.
A administração de morfina endovenosa com nova sequência de imagens dinâmicas por 30 minutos pode facilitar o fluxo do radiofármaco para a vesícula biliar, podendo ser utilizada a critério médico.
Na colecistite crônica pode ocorrer a visualização da vesícula biliar nas imagens tardias de 3-4 horas ou 30 minutos após administração da morfina, assim como em alças intestinais.
Refeições gordurosas podem ser oferecidas ao paciente para realização de imagens e cálculo da fração de ejeção da vesícula biliar, caso ocorra a suspeita de colecistite acalculosa crônica, síndrome do ducto cístico, espasmo do esfíncter de Oddi.

Efeitos colaterais e contraindicações:

Este exame não é recomendado para mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez. Mulheres amamentando devem suspender a amamentação por 24 horas após o exame.
Não são esperados efeitos colaterais de acordo com a literatura médica.

Como solicitar?

Cintilografia do Fígado e Vias Biliares

  • Código TUSS: 40702030
  • Código SUS: 02.08.02.002-0.

Imagens: 

Fig 1: Cintilografia de fígado e vias biliares – o estudo mostra distribuição homogênea do radiofármaco no parênquima hepático (tecido do fígado) e tempo de aparecimento das vias biliares intra e extra-hepáticas e vesícula biliar dentro da normalidade.

 

 

Fig 2: Cintilografia de fígado e vias biliares – Imagens do abdome com até 24 horas de seguimento sem visualização da vesícula biliar e de alças intestinais (sugestivo de atresia de vias biliares).

Considerações finais:

A Cintilografia Hepatobiliar é um ótimo método diagnóstico na avaliação funcional da função hepatocítica e avaliação de doenças relacionadas às vias biliares. A capacidade que o radiofármaco apresenta de ser captado pelos hepatócitos (células do fígado) e  seguir o percurso da bilirrubina no sistema biliar, permite alta sensibilidade e especificidade na avaliação de patologias como colecistite e obstruções das vias  biliares. Sempre que possível, devem ser correlacionados outros métodos diagnósticos laboratoriais e de imagens (USG, TC, RNM), para aumentar a acurácia do diagnóstico.

Referências bibliográficas:

  • Ziessman HA et al. Hepatobiliary scintigraphy in 2014. J Nucl Med Technol. 2014 Dec;42(4):249-259.
  • Ziessman HA et al. The Requisites, 4th edition, 2015. Editora Elsevier.
  • DiBaise JK et al. Cholecystokinin-cholescintigraphy in adults: consensus recommendations of an interdisciplinary panel. Clin Nucl Med. 2012; 37(1):63-70.
  • Tulchinsky M et al. SNM Practice Guideline for Hepatobiliary Scintigraphy 4.0. J Nucl Med Technol. 2010 Dec; 38 (4): 210-218.
  • Afzal M et al. Int Surg J. 2021 Feb;8(2):766-770.

 

Autora: Dra. Renata Gavarrão de Freitas Fonseca – CRM / SP 104.236 – Médica Nuclear

CRM / SP 104.236 – Médica Nuclear