Cintilografia de Corpo Inteiro com Análogo da Somatostatina

Outros nomes que este procedimento pode ser chamado:

Octreoscan, Pesquisa de Corpo inteiro com Octreotide, Cintilografia com Análogos da Somatostatina, Cintilografia com Receptores da Somatostatina, Cintilografia para Pesquisa de Tumores Neuroendócrinos.

Introdução:

As neoplasias neuroendócrinas (NENs) originam-se do sistema celular neuroendócrino, podendo manifestar características tanto benignas quanto malignas. São classificadas em dois grupos distintos: tumores neuroendócrinos (TNEs) e carcinomas neuroendócrinos (NEC). (1)

Os Tumores Neuroendócrinos (TNEs) são categorizados em diferentes graus, incluindo TNE Graus 1, 2 e 3, enquanto o Carcinoma Neuroendócrino (CNE) é tratado como um grupo distinto. (2,3)

A maioria dos TNEs parece ser esporádica, mas também pode surgir no contexto de síndromes genéticas hereditárias, incluindo as neoplasias endócrinas múltiplas dos tipos 1 (NEM 1) e 2 (NEM 2) (2).

Imagens com os SSTR têm sido utilizadas clinicamente há mais de 20 anos desde a aprovação inicial do 111In-pentetreotide (OctreoScan®) para imagens planas de Cintilografia de Corpo inteiro e SPECT/CT em 1994 (2,4).

O 111In-DTPA-octreotídeo foi, de fato, o primeiro radiofármaco de imagem a receber aprovação da Food and Drug Administration (FDA), em 1994. Ao longo das últimas três décadas, a cintilografia com 111In-octreotídeo tornou-se uma modalidade de imagem fundamental, permitindo a localização, estadiamento e reestadiamento de tumores neuroendócrinos (TNEs) e suas metástases, bem como a seleção para o tratamento com os análogos de somatostatina (2,5).

Pelo menos cinco subtipos diferentes de SSTR foram identificados (SSTR1–SSTR5). Esses receptores são expressos em graus variados em diferentes tumores (2,6). Na maioria dos tumores, o subtipo SSTR2 é predominantemente expresso, embora pequenas quantidades de outros subtipos de SSTR possam estar presentes simultaneamente. (2)

O Octreotideo marcado com Índio-111 é um octapeptídeo com uma estrutura semelhante à somatostatina, mas com meia-vida plasmática mais longa. A ligação com o radiofármaco se faz a partir de um ligante intermediário, o DTPA, que atua como um quelante, estabelecendo a ligação entre o peptídeo e o radionuclídeo (7). Os peptídeos têm afinidade variável pelos SSTR e podem ser marcados com diferentes radionuclídeos. O depreotídeo marcado com tecnécio-99m é aprovado em vários países para TNEs pulmonares, por exemplo (2,7). Devido à alta radiação de fundo e à impossibilidade de realizar imagens tardias, por sua curta meia-vida, é um radiofármaco menos adequado para a detecção de TNEs abdominais (2,8).

A cintilografia com 111-índio-pentetreotídeo foi previamente relatada como uma ferramenta precisa para a detecção de tumores neuroendócrinos (NETs), com sensibilidades de 80 a 100%, dependendo do tipo de tumor, localização, tamanho e técnica utilizada (2,9). Apresenta uma sensibilidade de 60 a 80% para TNEs gastroenteropancreáticos, variando de 90% para gastrinomas e tumores carcinoides e >50% para insulinomas. Além disso, possui uma alta sensibilidade para metástases hepáticas (80-95%) (7).

O In-111-Octreotídeo se liga aos SSTR expressos na membrana celular, com maior afinidade para SSTR 2 e SSTR 5 (2,6,7). Após a ligação aos receptores, ocorre a internalização do complexo receptor-octreotídeo (2,7). O pentetreotídeo de In-111 é rapidamente eliminado pelos rins, com 50% da dose excretada em 6 horas e 85% após 24 horas da injeção (3).

Em comparação com as imagens convencionais de tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética, as imagens com os receptores de somatostatina (SSTRs) oferecem a vantagem da visualização do corpo inteiro em um só exame, com elevada sensibilidade e especificidade (2). No entanto, é importante observar que peptídeos radiomarcados também apresentam distribuição fisiológica no organismo, e as técnicas de cintilografia com os SSTR possuem uma resolução espacial relativamente inferior (2).

A concentração fisiológica do radiotraçador pode ser observada não apenas nos rins, bexiga, fígado, baço e cólon, mas ocasionalmente na tireoide e na vesícula biliar (2).

Aproximadamente 80-90% dos TNEs podem ser vistos nas imagens planas de 4 horas e, ao reduzir a radiação de fundo, mais lesões podem ser vistas dentro de 24 horas. O SPECT e SPECT/CT abdominal ajudam a localizar os locais da doença e diferenciar tumores de tecidos normais. Apesar da melhoria diagnóstica com a imagem híbrida SPECT/CT, a difusão do exame de PET/CT com os análogos da somatostatina tem substituído a cintilografia (2).

Indicações:

  • Detecção e Localização dos TNEs;
  • Estadiamento e reestadiamento de Tumores Neuroendócrinos e suas metástases;
  • Seleção de pacientes para tratamento com análogos da somatostatina frios;
  • Selação de pacientes com TNEs inoperáveis com análogos da somatostatina radiomarcados com Ytrio-90 ou Lutecio-177.

Radiofármacos:

  • 111In-DTPA-octreotídeo;
  • 99mTc-Octreotide.

Preparo:

Não é necessário jejum.

Suspensão dos análogos de somatostatina (SANDOSTATIN) por quatro semanas antes do exame.

Levar exames prévios de imagem e resultado do anatomopatológico.

Como é feito o exame?

Ao chegar à clínica, o paciente será atendido para a abertura da ficha cadastral pelo setor recepção.  Em seguida, será encaminhado para o setor técnico para realização de uma breve entrevista.

Na sequência, será realizada a injeção endovenosa do radiofármaco. Imagens 4-6 horas e 24 horas após a injeção podem ser adquiridas a critério médico (com duração de aproximadamente 30 minutos).

Imagens complementares estáticas ou tomográficas (SPECT ou SPECT/CT) das regiões de interesse podem ser adquiridas (mais 30 minutos).

Efeitos colaterais e contraindicações:

Efeitos colaterais: raros casos de alergia, notadamente no sítio de injeção do radiofármaco.

Contraindicações: gestantes e mulheres em período de amamentação.

Como solicitar:

Código TUSS – 4.07.08.01-2

Imagens:

Imagens planas nas projeções anterior e posterior de Pesquisa de Corpo Inteiro com Octreotide, demonstrando área focal de acúmulo do traçador no abdome.

Às imagens de SPECT/CT (cortes coronal anterior/sagital/axial e coronal posterior) a área focal corresponde a linfonodo abdominal suspeito para metástase de tumor neuroendócrino.

Referências Bibliográficas:

  1. Wang R, Zheng-Pywell R, Chen HA, Bibb JA, Chen H, Rose JB. Management of Gastrointestinal Neuroendocrine Tumors. Clin Med Insights Endocrinol Diabetes. janeiro de 2019;12:117955141988405.
  2. Coura-Filho GB, Torres Silva De Oliveira M, Morais De Campos AL. Nuclear Medicine in Endocrine Disorders: Diagnosis and Therapy [Internet]. Cham: Springer International Publishing; 2022 [citado 20 de dezembro de 2023]. Disponível em: https://link.springer.com/10.1007/978-3-031-13224-7
  3. Bergsland EK, Woltering EA, Rindi G, O’Dorisio TM, Schilsky RL, Liu EH, et al. Neuroendocrine Tumors of the Duodenum and Ampulla of Vater. Em: Amin MB, Edge SB, Greene FL, Byrd DR, Brookland RK, Washington MK, et al., organizadores. AJCC Cancer Staging Manual [Internet]. Cham: Springer International Publishing; 2017 [citado 28 de agosto de 2021]. p. 361–73. Disponível em: http://link.springer.com/10.1007/978-3-319-40618-3_30
  4. Kulke MH, Bergsland E, Berlin JD, Blaszkowsky LS, Choti MA, Clark OH, et al. Neuroendocrine Tumors. J Natl Compr Canc Netw. 2012;10(6):41.
  5. Hofman MS, Hicks RJ. Changing paradigms with molecular imaging of neuroendocrine tumors. Discov Med. julho de 2012;14(74):71–81.
  6. Ziessman HA, O’Malley JP, Thrall JH, Fahey FH. Nuclear medicine. 4th ed. Philadelphia, PA: Elsevier/Saunders; 2014. 452 p. (Requisites).
  7. Hironaka FH, Ono CR, Buchpiquel CA, Sapienza MT, Lima MS. Medicina nuclear: princípios e aplicações. Atheneu; 2017.
  8. Reubi J, Waser B, Schaer JC, Laissue JA. Somatostatin receptor sst1–sst5 expression in normal and neoplastic human tissues using receptor autoradiography with subtype-selective ligands. Eur J Nucl Med. julho de 2001;28(7):836–46.
  9. Shaverdian N, Pinchot SN, Zarebczan B, Gillis HC, Schiro A, Chen H. Utility of 111Indium-pentetreotide Scintigraphy in Patients with Neuroendocrine Tumors. 2016;12.

Autora: Dra. Ana Luiza Campos – CRM / SP 169.473 – Médica Nuclear

CRM / SP 169.473 – Médica Nuclear