Cintilografia de Perfusão Cerebral – SPECT

Os biomarcadores utilizados no estudo perfusional (99mTc-ECD ou 99mTc-HMPAO) distribuem-se de acordo com o fluxo sanguíneo cerebral regional.
Por serem imediatamente retidos no interior das células neuronais, sem sofrer redistribuição, esses radiofármacos marcam o momento da perfusão cerebral logo após sua administração intravenosa. Uma aplicação que se vale dessa característica é o estudo combinado crítico-intercrítico para localização de foco epileptogênico, com acerto em até 90% dos casos de epilepsia do lobo temporal.
Outra importante aplicação da cintilografia de perfusão cerebral é auxiliar no diagnóstico diferencial das demências. Frequentemente, o declínio cognitivo progressivo secundário a doença de Alzheimer (a mais prevalente e de maior impacto socioeconômico com o envelhecimento populacional) pode não ser distinguível de outras causas de demência com base apenas em suas manifestações clínicas, com falha diagnóstica em cerca de 10 a 15% dos pacientes. Seu diagnóstico precoce é de suma importância para que a terapia correta possa ser implantada, na tentativa de conter a progressão. A cintilografia cerebral pela técnica SPECT apresenta especificidade de até 70% para doença de Alzheimer. Usando-se a técnica PET/CT, a especificidade pode chegar a mais de 90%, com sensibilidade de 73%.
A técnica híbrida PET/CT com 18F-FDG é uma ferramenta notável para estudos do encéfalo, traduzindo o metabolismo glicolítico regional. Possui basicamente as mesmas indicações dos estudos de perfusão convencionais. Como vantagens principais podemos citar a melhor resolução espacial (em torno de 4mm), possibilitando a individualização de alterações metabólicas menores, e a correlação anatômica pelas imagens de fusão com a tomografia computadorizada.

>> Principais Indicações Clínicas

-> Demências: auxílio diagnóstico pelo reconhecimento de padrões sugestivos de doença de Alzheimer, demência fronto-temporal, corpúsculos de Lewy, dentre outras.
-> Epilepsia: auxílio na localização de foco epileptogênico em pacientes candidatos à cirurgia, especialmente nos casos de epilepsia focal sem alterações anatômicas à RM, discordância entre RM e EEG e lesão bilateral à RM.
-> Doença cerebrovascular: avaliação de ataque isquêmico transitório/ acidente vascular encefálico agudo; avaliação tardia de sequelas isquêmicas.
-> Traumas: avaliação da extensão e do comprometimento encefálico após o trauma.

>> Contra Indicações

Não recomendado para mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez.

>> Principais Efeitos Colaterais

-> Efeitos colaterais em medicina nuclear são extremamente raros e quando ocorrem são de intensidade leve. Alguns efeitos descritos na literatura para os radiofármacos ECD e HMPAO são náusea, rash cutâneo, dor torácica, mal estar, sincope, cefaleia, tontura e astenia.
-> Não há descrição de efeitos adversos com o uso de 18F-FDG.
-> A dose de radiação é comparável a de exames de radiologia.

>> Como Solicitar

Cintilografia de Perfusão Cerebral – Código TUSS: 40707032 / Código SUS: 02.08.07.001-0
Cintilografia Cerebral com 18F-FDG em Camara Híbrida – Código TUSS: 40707024 / Código SUS: 02.06.01.009-5
*incluir o CID, hipótese diagnóstica e/ou indicação do exame.

>> Radiofármaco Utilizado

99mTc-ECD ou 99mTc-HMPAO (SPECT);
18F-FDG (PET).

>> Preparo

-> Não é necessário estar em jejum para estudo com SPECT.
-> Não é necessário suspender as medicações.
-> Para estudo com PET é necessário jejum de no mínimo 6 horas e hidratação abundante com água no dia do exame. Recomenda-se suspensão de cafeína, tabaco e drogas que atuam no sistema nervoso central por 12 horas. Pacientes diabéticos que fazem uso de insulina deverão consultar nossos médicos para orientação do preparo.
-> É necessário que o paciente fique com a cabeça imóvel por 30 a 60 minutos durante a aquisição. Em caso de paciente pediátrico ou claustrofóbico, converse com o médico nuclear sobre a possibilidade de realizar o exame sob sedação.

>> Descrição do Procedimento

-> O paciente será recebido pelo setor Recepção, onde deverá providenciar os documentos previamente relacionados para criação ou atualização da ficha cadastral, bem como ler e assinar termo de consentimento livre e esclarecido para a realização do exame.
-> O paciente receberá um crachá de identificação e será encaminhado ao setor técnico para início do procedimento com uma entrevista para coleta de dados clínicos, verificação de preparo e prestação de orientações.
-> Em seguida será encaminhado à sala de repouso onde ficará deitado, numa sala escura com pouca luminosidade e estímulo sonoro. Uma veia periférica será puncionada e mantida com soro fisiológico.
-> Após 10 a 15 minutos, o radiofármaco será injetado na veia e o paciente deverá aguardar.
-> A aquisição das imagens será realizada 1 hora (SPECT) e 30 minutos (PET) após a administração do radiofármaco.
-> Tempo da aquisição das imagens: 30 a 60 minutos (SPECT) e 15 a 20 minutos (PET). Durante a aquisição, o cliente não deve movimentar a cabeça.

>> Considerações Finais

A cintilografia de perfusão cerebral (SPECT) e a tomografia por emissão de pósitrons (PET) fornecem informações funcionais sobre o sistema nervoso central, complementares aos exames de imagem anatômica convencional. São métodos diagnósticos seguros para o paciente, utilizados na prática clínica há muitos anos, de indicações bem estabelecidas e consagradas na literatura médica. Converse com o médico nuclear para esclarecimentos adicionais.

>> Referência Bibliográfica

1. Rowe CC, Berkovic SF, Austin MC, et al: Patterns of postictal cerebral blood flow in temporal lobe epilepsy: Qualitative and quantitative analysis. Neurology 1991; 41:1096-1103.
2. Cross JH, Jayakar P, Nordli D, et al: Proposed criteria for referral and evaluation of children for epilepsy surgery: Recommendations of the Subcommission for Pediatric Epilepsy Surgery. Epilepsia 2006; 47:952-959.
3. Van Heertum RL, Drocea C, Ichise M, et al: Single photon emission CT and positron emission tomography in the evaluation of neurology disease. Radiol Clin N Am 2001; 39:1007-1033.
4. Silverman DHS, Small GW, Chang CY, et al: Positron emission tomography in evaluation of dementia: regional brain metabolism and longterm outcome. JAMA 2001; 286:2120-2127.
5. Silverman DH, Gambhir SS, Huang HW, et al. Evaluating early dementia with and without assessment of regional cerebral metabolism by PET: a comparison of predicted costs and benefits. J Nucl Med 2012; 43:253–266.
6. Matsuda H. Role of neuroimaging in Alzheimer’s disease, with emphasis on brain perfusion SPECT. J Nucl Med 2007; 48:1289–1300.
7. Small GW, Bookheimer SY, Thompson PM, et al: Current and future uses of neuroimaging for cognitively impaired patients. Lancet Neurol 2008; 7:161-172.
8. Adverse Reactions to Radiopharmaceuticals: J Nucl Med 1996 37:1064-1067.

Dra. Olivia Yumi Fukumori
CRM 139.394
Médica Nuclear

<< Voltar