Cintilografia de Fígado e Vias Biliares

Cintilografia de fígado e vias biliares é um método sensível e não invasivo para avaliação de distúrbios da função hepatocítica e da integridade do sistema biliar, uma vez que utiliza radiofármacos derivados do ácido iminodiacético marcados com 99mTecnécio, que são captados pelos hepatócitos e secretados para o sistema biliar seguindo o fluxo habitual da bilirrubina.
É geralmente aceito que achados cintilográficos nem sempre são específicos. Portanto, é fundamental a correlação dos achados da cintilografia hepatobiliar com informações clínico-laboratoriais e radiológicas relevantes, a fim de chegar a um diagnóstico correto.
História de cirurgias prévias, especialmente biliar e gastrointestinal, tempo da última refeição, medicações em uso, particularmente componentes de opióide, dosagem sérica de bilirrubinas e enzimas hepáticas e achados ultrassonográficos devem ser avaliados.

>> Principais Indicações Clínicas

-> Colecistite aguda e crônica;
-> Avaliação da fração de ejeção da vesícula biliar;
-> Avaliação de obstrução de ducto biliar comum;
-> Detecção de fístula biliar;
-> Avaliação do transito biliar no pós-operatório;
-> Avaliação de atresia biliar;
-> Avaliação de função hepatocítica após transplante hepático.

>> Contra-Indicações

-> Exame não recomendado para mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez.

>> Como Solicitar

-> Cintilografia do Fígado e Vias Biliares – Código TUSS: 40702030 – Código SUS: 02.08.02.002-0

>> Radiofármaco Utilizado

-> 99mTc-DISIDA: o radiofármaco é captado pelos hepatócitos por transporte ativo, indicando presença de hepatócitos funcionantes e seguem o percurso da bilirrubina no sistema biliar.

Fig 1: Cintilografia de fígado e vias biliares – o estudo mostra distribuição homogênea do traçador no parênquima hepático e tempo de aparecimento das vias biliares intra e extra-hepáticas e vesícula biliar dentro da normalidade.

Fig 2: cintilografia das vias biliares: não há acúmulo do radiotraçador no leito vesicular até 4 horas de estudo.

Fig 3: Colecistite aguda: note um halo de hiperconcentração do radiofármaco delimitando o leito da vesícula biliar
(rim sign).

>> Preparo

-> Jejum mínimo de 6 horas e máximo de 18 horas. Recém-nascidos podem ter o jejum reduzido para 2 horas. Jejum prolongado em torno de 24 horas pode dificultar o enchimento da vesícula biliar pelo traçador no tempo esperado, sendo necessária imagens tardias ou administração prévia de colecistoquinina endovenosa.
-> A informação sobre o valor de bilirrubina total é muito importante para o cálculo da dose a ser injetada. Níveis muito elevados de bilirrubina podem interferir na captação do radiotraçador.

>> Descrição do Procedimento

-> O paciente será recebido pelo setor Recepção, onde deverá providenciar os documentos previamente relacionados para criação ou atualização da ficha cadastral, bem como ler e assinar o termo de consentimento livre e esclarecido para a realização do exame.
-> O paciente receberá um crachá de identificação e será encaminhado ao setor técnico para início do procedimento, entrevista para coleta de dados clínicos, verificação de preparo e orientações.
-> Em seguida o paciente será encaminhado à sala de exames e posicionado na maca do aparelho. Uma veia periférica será puncionada e o radiofármaco injetado.
-> O estudo inicia-se com a aquisição de imagens dinâmicas na incidência anterior de abdômen, após a injeção endovenosa do radiofármaco, durante 1 hora. Nesse período, deve existir rápido acúmulo do traçador no parênquima hepático, seguido de seu clareamento progressivo e concomitante surgimento de atividade radioativa na árvore biliar intra e extra-hepática, vesícula biliar e alças intestinais.
-> Imagens estáticas tardias até 4h e eventualmente 24h podem ser necessárias para avaliar clareamento do parênquima hepático, retenção em lesões focais ou identificação do traçador na vesícula biliar e intestino delgado.
-> O enchimento da vesícula biliar implica em patência do ducto cístico e exclui colecistite aguda com alto grau de certeza.
-> A característica cintilográfica da colecistite aguda é a não identificação da vesícula biliar após 3 a 4 horas do início do estudo ou após 30 minutos da infusão de morfina.
-> A administração de morfina endovenosa com nova sequência de imagens dinâmicas por 30 minutos pode facilitar o influxo do traçador para a vesícula, uma vez que promove um espasmo temporário do esfíncter de Oddi.
-> Na colecistite crônica ocorre a visualização da vesícula biliar nas imagens tardias de 3-4 horas ou 30 minutos após morfina, assim como a identificação desta posteriormente a da atividade intestinal infere esse diagnóstico.
-> O cálculo da fração de ejeção da vesícula biliar pode ser realizado com imagens estáticas de abdômen antes e após refeição gordurosa, a intervalos pré-determinados. Dentre as causas de redução da fração de ejeção da vesícula biliar está colecistite acalculosa crônica, síndrome do ducto cístico, espasmo do esfíncter de Oddi.
-> A ausência do traçador em vesícula biliar e intestino pode ser consistente com atresia de vias biliares, mas pode também ser causado por doença hepatobiliar ou imaturidade do mecanismo de transporte intra-hepático.

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