Terapia com Radioiodo

>> Indicações: Doenças Benignas

  • Doença de Graves;
  • Bócio multinodular tóxico;
  • Nódulo solitário hiperfuncionante;
  • Redução volumétrica de bócio multinodular atóxico.

>> Principais Indicações: Doenças Malignas

  • Câncer diferenciado da tireoide.

>> Contra Indicações:

  • Absoluta – gestação e lactação;
  • Relativa – hipertireoidismo sem controle e oftalmopatia de graves em atividade, particularmente em tabagistas.

>> Efeitos Colaterais

  • Náuseas, vômitos, sialoadenite, boca seca, epigastralgia e nos casos de doses elevadas, infertilidade.

>> Como Solicitar

> Tratamento de hipertiroidismo – bocio nodular tóxico (PLUMMER) – Código TUSS: 40710068 / Código SUS: 03.03.12.006-1
> Tratamento de hipertiroidismo – bócio tóxico (GRAVES) – Código TUSS: 40710050 / Código SUS: 03.03.12.007-0
> Tratamento de Câncer de tiroide – Código TUSS: 40710041 / Código SUS: (vide abaixo conforme a dose)
> Iodoterapia de carcinoma diferenciado de tiroide (100mCi) – Código SUS: 03.04.09.002-6
> Iodoterapia de carcinoma diferenciado de tiroide (150mCi) – Código SUS: 03.04.09.001-8
> Iodoterapia de carcinoma diferenciado de tiroide (200mCi) – Código SUS: 03.04.09.003-4
> Iodoterapia de carcinoma diferenciado de tiroide (250mCi) – Código SUS: 03.04.09.004-2
> Iodoterapia de carcinoma diferenciado de tiroide (50mCi) – Código SUS: 03.04.09.006-9
> Iodoterapia de carcinoma diferenciado de tiroide (30mCi) – Código SUS: 03.04.09.005-0

>> Radiofármaco Utilizado

131Iodo

>> Preparo

  • O preparo envolvem ações semelhantes às da Cintilografia da Glândula Tireoide e Pesquisa de Corpo Inteiro com radioiodo.
  • Além disso, o paciente deverá trazer a ultrassonografia da glândula tireoide para mensurar o volume, caso seja utilizado o protocolo de dose calculada.
  • Trazer o PAAF em caso de nódulos suspeitos e o laudo anatomo-patológico em casos de câncer.
  • Trazer os exames de sangue, tais como tireoglobulina, anticorpos anti-tireoglobulina, anti-TPO, anti-microssomais, TSH e T4 livre.
  • Exclusão da possibilidade de gestação, por meio de teste sérico.

>> Doses

  • O 131Iodo é o radioisótopo utilizado para esta finalidade. Trata-se de um elemento cuja emissão radioativa (beta) é o responsável pelo efeito terapêutico. Esta radiação transfere a sua energia ao longo do curto trajeto de sua progressão (inferior a 2 mm) a partir da célula em que foi incorporada. Essa energia transferida é que proporciona a “destruição” celular.
  • A dose é administrada por via oral e, dependendo da quantidade, a terapia pode ser ambulatorial ou em regime de isolamento radioativo, em ambiente específico, autorizado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear. Após o tratamento, os pacientes deverão seguir as orientações de radioproteção, previstos na legislação brasileira. Estas são apresentadas verbalmente aos pacientes, assim como por meio de documentos impressos, e também acessíveis no website da DIMEN. Dois regimes de doses podem ser utilizados, tanto no hipertireoidismo, quanto no câncer de tireoide.
  • No hipertireoidismo: doses calculadas e doses fixas. Na primeira, determinamos qual a atividade a ser incorporada por grama de tecido glandular, corrigido pela captação de 24 horas. As doses recomendadas para Doença de Graves variam desde 55 – 80 µCi/g a 160 – 200 µCi/g. Por outro lado, as doses fixas e empíricas de 131I variam de 10 – 15 mCi.
  • As indicações de terapias com radioiodo em câncer de tireoide tem sido objeto de adequações nos últimos 10 anos, particularmente a partir da adoção da estratificação do risco de recorrência. Baseado nos guidelines de diferentes sociedades é possível individualizar a avaliação e a conduta para cada paciente, levando em consideração fatores como características histológicas da lesão primária, dos estadiamentos clínico e cirúrgico e exames complementares.

As condutas variam desde a não indicação de doses em pacientes de muito baixo risco e baixo riscos de recorrência e doses que variam de 30 a 200 mCi de 131Iodo:
– 30 mCi para ablação de restos tireoidianos;
– 100 mCi para ablação de grandes remanescentes;
– 100 a 150 mCi para terapia adjuvante, em pacientes com moderado a alto risco;
– 150 a 200 mCi para tratamento de metástases à distância e doença residual.

  • As doses que são administradas a partir de dados de dosimetria permitem administração de doses calculadas especificamente para o paciente avaliado. Neste caso, as doses superiores a 200 mCi podem ser indicados com mais segurança.

>> Informações Adicionais

  • Pacientes com hipertireoidismo podem ser mantidos com ß-bloqueadores por não interferirem no procedimento e por minimizarem os sintomas da tireotoxicose;
  • Em situações de atividade da oftalmopatia de Graves será avaliada a necessidade de contraindicar o procedimento ou eventual prescrição de corticosteroides para reduzir o risco de piora do quadro, embora, ainda seja um assunto controverso;
  • Pacientes com bócio multinodular e indicações de dose para redução volumétrica da glândula, mas que apresentem baixa captação em cintilografia da tireoide podem ser estimulados com baixas doses de TSH recombinante para aumentar a captação do radioiodo e melhorar a eficiência da terapia;
  • Pacientes com bócio volumoso e estenose crítica da traqueia podem receber corticosteroides para reduzir risco de oclusão desta estrutura devido a eventual aumento volumétrico da glândula secundário à tireoidite, induzida pela radiação.

Câncer Medular da Tireoide

  • Tratamento de doença metastática com MIBG-131Iodo;
  • Tratamento com Análogo da Somatostatina (177Lu) para doença metastática.

Obs.: as indicações apresentadas são as mais comumente recomendadas. Outros procedimentos ou indicações podem ser discutidos diretamente com um dos médicos da equipe.

>> Referências Bibliográficas

1. The SNM Practice Guideline for Therapy of Thyroid Disease with 131I. J Nuc Med 2012;53(10).
2. SNM Practice Guideline for Parathyroid Scintigraphy. J Nuc Med Technol 2012;40(2).
3. Revised American Thyroid Association Management Guidelines for Patients with Thyroid Nodules and Differentiated Thyroid Cancer. Thyroid 2009;19(11):1167-1214.
4. Nódulo tireoidiano e câncer diferenciado de tireoide: atualização do consenso brasileiro. Arq Bras Endocrinol Metab 2013;57(4):240-264.
5. EANM 2012 Guidelines for Radionuclide Imaging of Phaeochromocytoma and Paraganglioma. Eur J Nucl Med Mol Imaging 2012;39:1977–1995.
6. EANM procedure guidelines for therapy of benign thyroid disease. Eur J Nucl Med Mol Imaging 2010;37:2218–2228.

 

Dr. Nilton Massaki Hanaoka
CRM 73.805
Médico Nuclear

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