Terapia com I – MIBG

Metaiodobenzilguanidina é um análogo da noradrenalina, porém não possui ação efetiva e é chamada de falso neurotransmissor. Pode ser ligada ao isótopo 131Iodo que é um emissor de radiação gama e beta. A radiação beta possui alcance de penetração de 0,5 mm e ao atravessar os tecidos, provoca ionização e destruição celular, sendo utilizada para terapia. A radiação gama tem um alcance maior e permite a obtenção de imagens em câmaras de cintilação.
Uma vez injetada por via venosa, a 131I-MIBG é seletivamente captada nos tecidos que possuem rica inervação adrenérgica, tais como em tumores de origem neuroectodérmica, e estocada nas vesículas no interior dos neurônios. A captação pode ser por mecanismo de recaptação neuronal ou por difusão passiva. Diferentemente da noradrenalina, a MIBG não é metabolizada e sua excreção é na forma original.
A 131I-MIBG foi utilizada pela primeira vez como agente de imagem na detecção de tumores neuroendócrinos na década de 1980. Logo em seguida, iniciou-se o uso do 131I-MIBG com finalidade terapêutica nos pacientes portadores de feocromocitoma e posteriormente nos neuroblastomas. Desde então vários estudos tem demonstrado a utilização desta terapia em diversos tumores neuroendócrinos e com diferentes combinações terapêuticas.

>> Principais Indicações Clínicas

  • Feocromocitoma inoperável;
  • Paraganglioma inoperável;
  • Tumor carcinóide inoperável;
  • Estadio III ou IV de neuroblastoma;
  • Metástases ou carcinoma medular de tiroide recorrente.

>> Contra Indicações

  • Absolutas: gravidez, amamentação, expectativa de vida menor que 3 meses, exceto de caso de dor óssea intratável e insuficiência renal que requer diálise em curto tempo.
  • Relativas: risco médico em manter o paciente em isolamento, incontinência urinária, deterioração da função renal rapidamente progressiva (<30mL/min), toxicidade hematológica e renal por tratamento prévio, mielosupressão (leucócitos < 3.000 e plaquetas < 100.000).

>> Efeitos Colaterais

Precoces:
>Náuseas e vômitos podem ocorrer nos primeiros dias.
> Sialoadenite
> Eritema, rubor, sudorese, gosto metálico e formigamento nos baços e rosto.
> Instabilidade pressórica.
> Mielosupressão transitória é o principal efeito colateral que pode ocorrer entre a quarta e sexta semana após a terapia. A monitorização hematológica é essencial após a terapia para antecipar mielosupressão significativa e planejar subseqüente ciclos de tratamento.

Tardios:
> Hipotiroidismo se não foi realizado bloqueio adequado da tiroide.
> Mielosupressão persistente.

>> Como solicitar

TRATAMENTO COM METAIODOBENZILGUANIDINA (MIBG) – Código TUSS: 40710025 / Código SUS: ——–

>> Radiofármaco Utilizado

131I-MIBG (metaiodobenzilguanidina)

>> Preparo

  • O paciente deverá agendar uma entrevista com o médico nuclear para avaliação e orientações.
  • É necessário que o paciente apresente a cintilografia com 131I-MIBG ou 123I-MIBG na entrevista, assim como outros exames de imagem e de sangue.
  • Mulheres em idade fértil devem coletar exame Beta-HCG sérico previamente à terapia e trazer o resultado no dia da internação. A partir da coleta, manter abstinência sexual até o dia da terapia.
  • Seguir as orientações de preparo para a pesquisa de corpo inteiro com MIBG.

>> Descrição do Procedimento

  • O paciente é recebido pelo setor Recepção, onde deverá providenciar os documentos previamente relacionados para criação ou atualização de ficha cadastral, bem como ler e assinar termo de consentimento livre e esclarecido para e a realização da terapia.
  • Em seguida, o paciente será encaminhado ao hospital.
  • No quarto terapêutico, uma veia periférica será puncionada e mantida com soro fisiológico.
  • Antes e após a injeção da dose terapêutica a pressão arterial será aferida. É necessário monitorização cuidadosa da pressão arterial, pois o paciente pode apresentar instabilidade durante e após a injeção do radiofármaco, principalmente nos portadores de tumores que secretam catecolaminas.
  • Ao término da infusão, o acesso venoso é retirado e o paciente deverá permanecer em isolamento até atingir níveis de radiação aceitáveis para a sua liberação. O período de internação é variável, dependendo da taxa de excreção individual do material radioativo.
  • O paciente é orientado a se hidratar abundantemente durante a internação.
  • Após a alta hospitalar, o paciente será orientado a retornar à clínica, em data marcada, para a realização da pesquisa de corpo inteiro pós-dose.

>> Considerações Finais

  • A terapia com 131I-MIBG vem sendo utilizada desde a década de 80 com grandes avanços até os dias atuais.
  • Vários estudos tem demonstrado resposta objetiva (parcial ou completa) de 0% a 66% em pacientes portadores de neuroblastoma refratário ou recidivado. O alivio de dor foi também evidenciado numa proporção bastante elevada. Várias modalidades terapêuticas com a combinação da terapia com 131I-MIBG e quimioterapia, transplante de medula óssea e terapia com oxigênio hiperbárico tem sido avaliadas com resultados animadores. Outros radioisótopos ligados a MIBG tem sido alvo de estudos, tais como 125I (iodo) e 211At (astatina), cujas características físicas proporcionam melhores resultados e menos toxicidade.
  • Alguns estudos tem demonstrado estabilidade da doença ou mesmo reposta parcial após terapia com MIBG em mais de 50% dos pacientes com tumores neuroendócrinos e com efeitos colaterais pouco significativos.

>> Referência Bibliográfica

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Dra. Dilma Mariko Morita
CRM 68023
Médica Nuclear

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