Dacriocintilografia

A dacriocintilografia é uma modalidade não invasiva, de fácil realização e bastante sensível na avaliação de epífora. Permite o estudo funcional do sistema de drenagem lacrimal, sem entretanto, fornecer detalhes anatômicos.

A dacriocistografia constitui um método de imagem mais amplamente utilizado e bem estabelecido para o estudo das vias lacrimais, fornecendo informações anatômicas do sistema lacrimal. Entretanto, trata-se de um procedimento invasivo, que pode mascarar obstrução parcial ou estenose, uma vez que é necessário cateterizar o ponto lacrimal e injetar o contraste radiopaco sob pressão.

A tomografia fornece informações sobre as estruturas ósseas ao redor do saco e ducto nasolacrimal e a ressonância magnética oferece excelente perfil dos tecidos moles e das margens entre o tecido mole e ósseo, assim como a identificação de conteúdo aquoso em vários tecidos. Estudos dinâmicos na ressonância durante o ato de piscar podem permitir a avaliação da drenagem lacrimal, mas a técnica é bastante difícil quando comparamos com a cintilografia.

>> Principais Indicações Clínicas

Avaliação de epífora.

>> Contra-Indicações

Conjuntivite aguda.

>> Efeitos Colaterais

Nenhum.

>> Como Solicitar

Dacriocintilografia – Código TUSS: 40711013 / Código SUS: 02.08.09.002-9

>> Radiofármacos Utilizados

[99mTc]-Pertecnetato

>> Preparo

Não existe preparo nenhum.
ORIENTAÇÃO PARA DACRIOCINTILOGRAFIA

>> Descrição do Procedimento

O paciente será recebido pelo setor Recepção, onde deverá providenciar os documentos previamente relacionados para criação ou atualização da ficha cadastral, bem como ler e assinar o termo de consentimento livre e esclarecido para a realização do exame.
O paciente será acolhido pela equipe técnica e médica, com uma entrevista para coleta de dados clínicos, verificação de preparo e orientações.
O paciente será acolhido pela equipe técnica e médica, com uma entrevista para coleta de dados clínicos, verificação de preparo e orientações. Será encaminhado à sala de exame onde ficará sentado na frente do aparelho por aproximadamente 30 minutos.
Microgotas do material radioativo serão instiladas no canto externo de cada olho. A aquisição das imagens será realizada imediatamente após a instilação.
Tempo aproximado da aquisição das imagens de 30 minutos.

>> Considerações Finais

As causas de lacrimejamento podem ser por excesso de produção da lágrima (hiperlacrimejamento) ou por deficiência de drenagem. A deficiência de drenagem lacrimal pode ser atribuída a alteração do mecanismo de excreção (funcional) ou a obstrução ao livre transito da lágrima (anatômica).
Dentre as causas de distúrbios funcionais, devemos lembrar da frouxidão palpebral, da fraqueza da musculatura orbicular e da paralisia do nervo facial, que mesmo na vigência de uma via lacrimal completamente permeável, determinarão epífora por comprometimento do mecanismo de “bomba lacrimal”. Além disso, processos inflamatórios crônicos ou infecciosos de repetição também podem afetar a “bomba lacrimal”.
A dacriocintilografia é um método bastante útil na avaliação de distúrbios funcionais de drenagem. Estudos tem demonstrado sensibilidade mais alta na detecção de tal condição do que a dacriocistografia (95% versus 93%).
Alguns autores tem sugerido a utilização da dacriocintilografia como primeiro exame naqueles pacientes com queixa de lacrimejamento e que, sendo o resultado normal, não haveria necessidade de outros métodos radiológicos mais complexos e invasivos.

>> Referências Bibliográficas

1. Detorakis E T et al. Lacrimal Outflow Mechanisms and the Role of Scintigraphy: Current Trends. World Journal of Nuclear Medicine 2014; 13: 16-21;
2. Jabbour J et al. Quantitative lacrimal scintigraphy in the assessment of epiphora. Clin Nucl Med 2008; 33(8): 535-41;
3. Palaniswamy SS, Subramanyam P. Dacryoscintigraphy: an effective tool in the evaluation of postoperative epiphora. Nucl Med Commun 2012; 33(3): 262-7
4. Fard-Esfahani A, Gholamrezanezhad A, Mirpour S, Tari AS, Saghari M, Beiki D, Sichani BF, Eftekhari M. Orbit 2008; 27:237-41.
5. Rose JDG, Clayton CB. Scintigraphy and contrast radiography for epiphora. The British Journal of Radiology, 1985; 58:1183-1186.
6. Peter NM, Pearson AR. Comparison of dacryocystography and lacrimal scintigraphy in the investigation of epiphora in patients with patent but nonfunctioning lacrimal systems. Ophthal Plast Reconstr Surg 2009; 25(3): 2011-5.

Dra. Dilma Mariko Morita
CRM SP 68023
Médica Nuclear

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