Cintilografia Testicular

A Medicina Nuclear se dedica desde a década de 1970 ao desenvolvimento e aplicação de imagens diagnósticas cintilográficas de grande valor para a maioria das especialidades médicas, uma vez que são capazes de detectar de forma precisa e precoce alterações morfofuncionais nos diversos órgãos e sistemas, muitas vezes não visualizadas por outros exames de imagem – mais dedicados aos achados puramente morfológicos.

Na investigação complementar em Nefrourologia, as cintilografias têm tido papel fundamental no diagnóstico e seguimento de diversas patologias renais e do trato urinário, auxiliando médicos de várias especialidades na tomada de condutas e, principalmente, no acompanhamento evolutivo de seus pacientes.

Entre as funções avaliadas pelas diversas cintilografias estão a taxa de filtração glomerular, a secreção tubular e a presença de obstruções urinárias, algumas das quais possuindo parâmetros quantitativos que garantem maior segurança na prática clínica.

Dentre os diferentes radiotraçadores renais os mais utilizados no país são os fármacos marcados com Tecnécio-99m (99mTc), devido à sua baixa dosimetria e às suas características ideais para a produção de imagens. Cada radiotraçador possui mecanismo de ação e características específicas, que definem sua utilidade diagnóstica.

>> Principais Indicações Clínicas

A Cintilografia Testicular, permite a diferenciação da dor testicular aguda, na maioria das vezes em caráter emergencial, sendo capaz de diagnosticar a torção testicular nas diferentes fases evolutivas.

>> Contra Indicações

Não há.

>> Efeitos Colaterais

Náuseas, vômitos, rash cutâneo, prurido, urticária, cefaleia, dor torácica, vertigens e hipertensão.

>> Sensibilidade e Especificidade

Em relação à acurácia de alguns estudos cintilográficos previamente descritos é importante lembrar que existe alta precisão diagnóstica na avaliação de doença renovascular com uso do renograma sob ação da inibição da Enzima Conversora de Angiotensina, sendo sua sensibilidade em torno de 90% e especificidade próxima a 95% em pacientes com função renal normal, com resultados falso-positivos muito raros.

>> Como Solicitar

-> Cintilografia Testicular (TECNÉCIO) – Código TUSS: 40704041 – Código SUS: 02.08.04.003-0
**Favor incluir o CID, hipótese diagnóstica e/ou indicação do exame.

>> Radiofármacos Utilizados

99mTc-Pertecnetato

>> Preparo

  • A maioria dos procedimentos não requer preparo específico.
  • Na pesquisa de Hipertensão Renovascular, o paciente deverá suspender Bloqueadores de Enzima Conversora de Angiotensina (iECA) por 3 a 7 dias, conforme orientação da equipe de agendamento.
  • Hidratação abundante é recomendada.
  • Pacientes menores de 18 anos devem estar acompanhados de um responsável legal, que precisa permanecer na unidade até o fim do procedimento.
  • O limite de peso para a execução do exame é de 160 kg.
  • O paciente deverá informar todas as medicações em uso. Se necessário, recomenda-se trazer a receita médica mais atual.
  • O paciente deverá comparecer ao setor de exames com 30 minutos de antecedência, portando RG, CPF, cartão do convênio, pedido médico (dentro do prazo de validade), guia autorizada do seu convênio (se necessário), exames anteriores (se houver) e o preparo do exame devidamente realizado.

>> Descrição do Procedimento

O paciente será recebido pelo setor Recepção, onde deverá providenciar os documentos previamente relacionados para criação ou atualização da ficha cadastral, bem como ler e assinar o termo de consentimento livre e esclarecido para a realização do exame;

O paciente receberá um crachá de identificação e será encaminhado ao setor técnico para início do procedimento com uma entrevista para coleta de dados clínicos, verificação de preparo e orientações.

Na Cintilografia Testicular a aquisição das imagens será realizada imediatamente após a administração venosa do radiofármaco, com posicionamento especial para visualização dos testículos. O tempo aproximado da aquisição das imagens é de 20 a 30 minutos.

>> Considerações Finais

Diante do apresentado é importante ressaltar que atualmente utiliza-se uma visão abrangente nos diversos métodos diagnósticos disponíveis na medicina nuclear relacionados a Nefrourologia, que vai desde o uso de parâmetros simples descritivos até parâmetros mais sofisticados.

Além disso, devemos considerar que os últimos estudos têm demonstrado, por exemplo, que o T ½ da curva de Furosemida não é mais considerado um parâmetro aceitável como ferramenta adequada para caracterizar e avaliar a drenagem renal, a qual é melhor interpretada mediante uso de termos como esvaziamento satisfatório, esvaziamento parcial e nenhum ou quase nenhum esvaziamento, considerado insatisfatório. Definições como estas fazem parte da prática atual dos estudos. Hoje considera-se como principal parâmetro a integridade funcional dos rins em estudos evolutivos.

É importante lembrar também da disponibilidade de métodos talvez pouco utilizados, como a cistocintilografia, visto que a mesma apresenta bons resultados como técnica para acompanhamento evolutivo das crianças com infecção do trato urinário e refluxo vesicoureteral com menor dose de radiação absorvida pelo paciente, tendo o método indireto a vantagem de dispensar a cateterização da bexiga, porém requer uma boa função renal, visto que quando existe estase no trato superior a interpretação é dificultada. Dessa forma a medicina nuclear tem apresentado importante diversidade de métodos para diagnóstico e seguimento das mais variadas patologias nefrourológicas.

>> Referências Bibliográficas

1. Boubaker A, Prior JO, Meuwly JY Bischof-Delakoy: A. Radionuclide investigations of the urinary tract in the era of multimodality imaging. J Nucl Med. 2006; 47: 1819-1836;
2. Rossleigh MA: Renal infection and vesico-ureteric reflux. Semin Nucl Med. 2007; 37: 261-268;
3. Rossleigh MA: Scintigraphic imaging in renal infections. QJ Nucl Med Mol Imaging 2009; 53:72-77;
4. Piepsz, A: Antenatal detection of pelviureteric junction stenosis main controversies. Semin Nucl Med. 2011; 41(1): 11-9.
5. Gordon Isky, Piepsz Amy, Sixt, Rune: Guidelines for Standard and diuretic renogram in children. Eur J Nucl Med Mol Imaging, 2011.
6. Adverse Reactions to Radiopharmaceuticals: J Nucl Med 1996 37:1064-1067.

Dr. Élison Alves Granjeiro
CRM-MG 62289
Médico Nuclear

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